Bateria de Provas de Raciocínio (BPR 8/10)

Autores: Argentil O. Amaral, Leandro S. Almeida, & Manuel J. Morais (2014)

Edição: Universidade Pedagógica, Delegação de Quelimane – Moçambique

Objetivo: A Bateria de Provas de Raciocínio (BPR8/10) é a versão Moçambicana da BPR portuguesa destinada à avaliação do raciocínio dos alunos da 8.ª à 10.ª classe. A bateria integra cinco subtestes: Raciocínio Abstrato (RA), Raciocínio Numérico (RN), Raciocínio Verbal (RV), Raciocínio Mecânico (RM) e Raciocínio Espacial (RE). Todos os subtestes requerem a capacidade de raciocínio (apreensão e aplicação de relações), estando a sua especificidade associada ao conteúdo dos itens em cada subteste (Almeida, 2003; Almeida & Lemos, 2006; Lemos, 2007). Independentemente da capacidade comum requerida ‘apreensão e aplicação de relações’, os cinco subtestes distinguem-se quanto ao formato (analogias, séries e problemas a resolver) e ao conteúdo em que os seus itens estão formulados (abstrato, numérico, verbal, mecânico e espacial). Alguns conteúdos estão mais associados às experiências curriculares e outros são mais de cariz prático associado à vida extraescolar dos alunos, o que serve a orientação vocacional destes adolescentes.

Estudos de validação: Os índices de precisão com a bateria são muito positivos, suplantando o critério mínimo de .75 usualmente defendido. No conjunto dos cinco subtestes, tais índices são mais elevados nos subtestes de raciocínio abstrato e de raciocínio numérico, sugerindo serem conteúdos menos ambíguos para os alunos. Existem problemas com a precisão do subteste de raciocínio mecânico (RM), o que também já ocorria em Portugal e no Brasil (Primi & Almeida, 2000). No nosso caso, os índices obtidos foram tão negativos que a prova carece de novos estudos antes da sua utilização (Amaral, 2014). A análise fatorial aponta para um fator geral, traduzindo a unidimensionalidade da bateria e a importância da operação cognitiva “raciocínio” /inteligência fluida (Gf), no desempenho dos alunos. As correlações com o rendimento escolar dos alunos são moderadas, observando-se coeficientes mais elevados quando os subtestes e as disciplinas curriculares se aproximam no conteúdo e quando se consideram classificações globais no currículo e na bateria.

Utilização: A utilização da BPR (8/10) está limitada a psicólogos, respeitando as normas constantes do manual de instruções (Almeida & Lemos, 2006). A bateria carece ainda de um estudo normativo a nível nacional pois até ao momento as normas disponíveis reportam-se a Quelimane. Também novos estudos são necessários antes do uso da prova de raciocino mecânico.

Contacto dos autores
Argentil O. Amaral, Universidade Pedagógica, Quelimane, Campus de Coalane, Moçambique. E-mail: doamara2015@gmail.com

Leandro S. Almeida, Instituto de Educação, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, 4710, Braga, E-mail: leandro@ie.uminho.pt

Manuel J. Morais, Universidade Pedagógica, Quelimane, Campus de Coalane, Moçambique. E-mail: manecas@gmail.com

Referências bibliográficas

Almeida, L. S. (2003). Bateria de Provas de Raciocínio. Braga: Universidade do Minho.

Almeida, L. S., & Lemos, G. (2006). Bateria de Provas de Raciocínio: Manual técnico. Braga: Universidade do Minho.

Amaral, O. A. (2014). Inteligência e rendimento escolar: Estudo da sua relação tomando os dados da adaptação e validação da Bateria de Provas de Raciocínio (BPR7/9) a alunos moçambicanos. Tese de doutoramento. Braga: Universidade do Minho.

Lemos, G. (2007). Habilidades cognitivas e rendimento escolar entre o 5.° e 12.° anos de escolaridade. Tese de doutoramento. Braga: Universidade do Minho.

Primi R., & Almeida, L. S. (2000). Estudo de validação da bateria de provas de raciocínio (BPR-5). Psicologia: Teoria e Pesquisa, 16 (2), 165-173.