Programa Científico

PROGRAMA & RESUMOS
II Conferência Internacional da ADIPSIEDUC

“Educação Universal e de Qualidade: Contributos da Investigação”
Organização: ADIPSIEDUC & ANEIS

Gondomar: Colégio Paulo VI, 9 de setembro/2017

8:00 – Abertura do Secretariado
9:00 – Sessão de Abertura

9:30 – Conferência de Abertura
Pensamiento crítico y sistema educativo de calidad
Carlos Saiz (Universidad de Salamanca)

En las últimas décadas, se han producido cambios sociales y tecnológicos profundos en la sociedad occidental. Sin embargo, nuestro sistema educativo no ha experimentado cambios sustanciales, al menos, en la práctica, aunque los planes de estudios den la sensación de plantear cambios importantes sobre el papel. En realidad, al aula no llega lo que se propone. El sentido común nos diría que, si nuestra sociedad y nuestro conocimiento actual es muy distinto del de hace un tiempo, deberíamos adaptarnos a esta transformación. Por la misma razón, los sistemas de enseñanza también están obligados a adecuarse a esta nueva situación, si realmente quiere formar a buenos profesionales y a ciudadanos responsables. En esta ponencia, por un lado, me ocuparé de señalar los principales problemas de la enseñanza superior, asociados a este cambio y, por otro, de proponer soluciones a esos problemas desde las aportaciones del pensamiento crítico.

10:15 – Intervalo (e afixação de posters)
Contributos para a validação da escala de estratégias autoprejudiciais em alunos do ensino secundário
Lúcia C. Miranda (Universidade da Madeira), Joana R. Casanova (FCT/Universidade do Minho), Danielle Ribeiro Ganda & Evely Boruchovitch (UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas)

As estratégias self-handicapping são atos ou justificativas dadas pelos alunos e que comprometem a realização das suas atividades académicas. De um modo geral, os indivíduos usam essas estratégias nas situações em que antecipam não serem capazes de obter sucesso nas suas atividades ou ações. O presente estudo tem por objetivo, apresentar a estrutura fatorial e o poder discriminativo dos itens da Escala de Estratégias Autoprejudicias (EEA, Boruchovitch & Ganda, 2013) na sua versão portuguesa, junto de uma amostra de 354 alunos do ensino secundário, provenientes de escolas do ensino regular dos distritos do Porto e Braga. A análise fatorial exploratória indicou a existência de três factores em vez dos dois da sua estrutura original brasileira, mas optou-se por fixar dois factores, conforme estrutura original brasileira. Os valores da consistência interna oscilam entre 0.84 e 0.86, sugerindo bons níveis de consistência interna, e, neste caso, poder-se-á considerar um instrumento promissor para ser usado em novos estudos. Discute-se a importância de se terem em conta as semelhanças e as diferenças culturais na construção e na utilização de instrumentos psicológicos.

Trajetórias de insucesso de estudantes universitários e a escolha de estratégias autorregulatórias
Ana Margarida da Veiga Simão (CICPSI, Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa) & Lourdes Maria Bragagnolo Frison (Universidade Federal de Pelotas, Brasil)

O presente estudo, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNpQ), investiga as trajetórias de estudantes universitários que apresentam histórias de insucesso acadêmico. A pesquisa, desenvolvida nas Instituições de Ensino Superior, no Brasil, Universidade Federal de Pelotas e em Portugal, Universidade de Lisboa, teve o objetivo de compreender como os estudantes com trajetórias académicas de insucesso percebem o seu percurso e o seu rendimento acadêmico e constroem o significado pessoal acerca de um aluno ideal e acerca de si próprios. Utilizou-se uma amostra de conveniência composta por 38 estudantes (19 estudantes em Portugal e 19 estudantes no Brasil). A recolha de dados ocorreu em dois momentos, com recurso à escrita de uma narrativa de formação, a uma entrevista semiestruturada e a duas escalas (Escala de Autorregulação da Motivação para a Aprendizagem [EAMA] e Inventário de Estratégias de Autorregulação do Controlo do Desempenho [QEACD]). Os resultados obtidos permitem apreender os significados dos impasses e problemas que surgiram na vida dos estudantes e descrever um padrão de divergência entre as estratégias utilizadas e consideradas importantes, pelos estudantes. Como mais utilizadas, surgem as estratégias dos domínios de regulação das metas de resultado-evitamento (EAMA) e rever o que foi feito (QEACD), tanto no Brasil quanto em Portugal. Os participantes de Portugal identificam como mais importantes, as estratégias das dimensões de regulação pela estruturação do contexto (EAMA) e a necessidade de pedir ajuda (QEACD). No Brasil, as estratégias mais importantes correspondem às estratégias das dimensões de regulação das metas de aprendizagem (EAMA) e à Gestão da Atenção (QEACD). Estes resultados são relevantes para uma melhor compreensão das necessidades destes grupos de estudantes. Discutem-se as implicações dos resultados para o desenho de intervenções.

Perfil atribucional, uso de estratégias self-handicapping e perceção de rendimento escolar num grupo de alunos com dupla retenção escolar
Lúcia C. Miranda (Universidade da Madeira)

As atribuições causais podem assumir-se como as inferências que o sujeito faz, a partir das suas interpretações sobre a relação entre um comportamento e um determinado resultado. No contexto educativo dizem respeito às interpretações individuais que os alunos fazem sobre os seus resultados escolares e académicos. Estas interpretações, tendem a interferir com a sua motivação para o desempenho no futuro. As estratégias de self-hadicapping fornecem a base para as atribuições causais, uma vez que são comportamentos ou circunstâncias criadas intencionalmente para ludibriar a perceção que os outros podem ter do desempenho do sujeito, caso ocorra insucesso. O principal objetivo deste trabalho foi conhecer o perfil atribucional e de estratégias self-handicapping, bem como as percepções de desempenho de um grupo de 12 alunos (9 rapazes e 2 raparigas com idades entre os 16 e os 19) com dupla retenção escolar. As atribuições causais foram medidas através do Questionário das Atribuições para os Resultados Escolares (QARE, Miranda & Almeida, 2008) e as estratégias self-handicapping pela Escala de Estratégias Autoprejudiciais (EEA, Boruchovitch & Ganda, 2013), as percepções sobre o desempenho escolar foram obtidas a partir da resposta dos alunos a uma pergunta elaborada para o efeito. Os resultados sugerem que os alunos, tendencialmente, atribuem os seus bons desempenhos às atribuições relacionadas com as contingências aleatórias e ao esforço, e os fracos desempenhos à falta de esfoço e às contingências aleatórias. Relativamente ao uso de estratégias self-handicapping referem, tendencialmente, o uso de estratégias relacionadas com dificuldades na gestão do tempo. Os alunos percepcionam-se maioritariamente com rendimento regular (7 alunos em 12). Reflete-se sobre possíveis justificações para estes resultados e possíveis implicações para a prática.

Perfil(s) dos alunos de mérito no ensino superior
Luz Lourenço & Ana P. Antunes (Univ. Madeira); luzlourenço16@hotmail.com

 O sucesso académico no ensino superior, em Portugal, tem sido reconhecido pela atribuição de prémios de mérito. Ao nível da investigação continuam a ser escassos os estudos desenvolvidos com estes alunos, nomeadamente, sobre as suas caraterísticas psicológicas. Este trabalho remete para um estudo quantitativo que teve por objetivo identificar caraterísticas psicológicas em alunos com rendimento académico mais elevado. A amostra compreendeu 40 recém-licenciados (22 homens e 18 mulheres), com idades entre os 21 e os 47 anos, de três áreas do conhecimento (Artes e Humanidades; Ciências da Saúde e Sociais; Ciências Económicas e Tecnologias), que finalizaram o curso, no ano letivo 2014/2015, com média igual ou superior a 14 valores. Os instrumentos utilizados na recolha dos dados foram o Inventário de Personalidade NEO PI-R, o Inventário de Caraterísticas Psicológicas Associadas ao Desempenho Académico (ICPADA) e as Matrizes Progressivas de Raven. Apesar da heterogeneidade de perfis verificada neste grupo, os resultados indicam de forma geral, um potencial cognitivo superior e níveis mais elevados de Abertura à experiência, Conscienciosidade, Motivação e Estratégias de aprendizagem, Persistência, Interação social e Interesse cultural. Os resultados encontrados não permitem generalizações pelo que se considera importante o desenvolvimento de novos estudos, mais abrangentes que permitam clarificar o papel destas caraterísticas no desempenho académico dos estudantes e também no seu desempenho enquanto futuros profissionais.

Intervenção em leitura de sílabas e palavras simples
Larissa Karen da Costa Meyer (bolsista da FAPEMIG; larissacmeyer@gmail.com) Susana Gakyia Caliatto sugakyia@gmail.com) Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS/Brasil

O presente trabalho apresenta os resultados de uma intervenção que teve o objetivo de treinar a leitura de sílabas simples e encontros consonantais para o desenvolvimento da fluência em leitura de uma menina de 7 anos, do segundo ano do Ensino Fundamental I de escola pública no sul de Minas Gerais/Brasil. A intervenção ocorreu em ambiente clínico-pedagógico em cinco sessões. Conforme o encaminhamento escolar, a criança apresentava atraso na leitura em comparação aos seus colegas de classe, além de ansiedade e agitação na realização das atividades de leitura. O método da intervenção, na linha de outros autores, consistiu no ensino direto de nomeação de sílabas simples e no ensino de nomeação de figuras, com o intuito de estabelecer leitura combinatória, desenvolver a habilidade de ler oralmente e escrever novas palavras a partir da combinação das sílabas ensinadas e da formação de classes de estímulos equivalentes. As letras, sílabas simples e palavras do procedimento foram divididas em seis conjuntos silábicos: Conjunto 1 (t, l, m); 2 (f, b, r); 3 (p, n, v); 4 (s, d, j); 5 (x e z); 6 (c e g).  As atividades de cada conjunto apresentavam uma média de 10 figuras. Durante as intervenções, a leitura foi orientada por meio de correções e incentivos e o significado das palavras foi refletido. O presente estudo de intervenção pretendeu realizar uma intervenção prática e específica, buscando afastar-se de modelos classificatórios de avaliação, habitualmente realizados por psicólogos da área educacional. Isto atende o que a literatura vem mostrando, ou seja, que uma intervenção precoce, fora da sala de aula, pode ajudar crianças com dificuldades de aprendizagem e prevenir o risco de fracasso na leitura. Embora não se possa prever se o procedimento sustentará a aprendizagem para os próximos anos de escolaridade, é possível afirmar que a intervenção atingiu seu objetivo. Percebeu-se que a intervenção deve ser realizada de forma flexível, com um manejo coerentemente e adequado para que não se torne uma sessão desgastante para criança. Apesar do estudo base para o presente trabalho ter sido desenvolvido com crianças com transtorno do espectro autista, verificou-se a possibilidade de ser aplicado com sucesso em uma criança de aprendizagem típica.

Intervenção em leitura de sílabas e palavras simples
Larissa Karen da Costa Meyer & Susana GakyiaCaliatto (Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS/Brasil); larissacmeyer@gmail.com

O presente trabalho apresenta os resultados de uma intervenção que teve o objetivo de treinar a leitura de sílabas simples e encontros consonantais para o desenvolvimento da fluência em leitura de uma menina de 7 anos, do segundo ano do Ensino Fundamental I de escola pública no sul de Minas Gerais/Brasil. A intervenção ocorreu em ambiente clínico-pedagógico em cinco sessões. Conforme o encaminhamento escolar, a criança apresentava atraso na leitura em comparação aos seus colegas de classe, além de ansiedade e agitação na realização das atividades de leitura. O método da intervenção teve como base a publicação de Gomes e Souza (2016), que consistiu no ensino direto de nomeação de sílabas simples e no ensino de nomeação de figuras, com o intuito de estabelecer leitura combinatória, desenvolver a habilidade de ler oralmente e escrever novas palavras a partir da combinação das sílabas ensinadas e da formação de classes de estímulos equivalentes.As letras, sílabas simples e palavras do procedimento foram divididas em seis conjuntos silábicos: Conjunto 1 (t, l, m); 2 (f, b, r); 3 (p, n, v); 4 (s, d, j); 5 (x e z); 6 (c e g). As atividades de cada conjunto apresentavam uma média de 10 figuras. Durante as intervenções, a leitura foi orientada por meio de correções e incentivos e o significado das palavras foi refletido. O presente estudo de intervenção pretendeu realizar uma intervenção prática e específica, buscando afastar-se de modelos classificatórios de avaliação, habitualmente realizados por psicólogos da área educacional. Isto atende o que a literatura vem mostrando, ou seja, que uma intervenção precoce, extra sala de aula, pode ser importante para ajudar crianças com dificuldades de aprendizagem e prevenir o risco de fracasso na leitura pelos estudantes. Embora não se possa prever se o procedimento sustentará a aprendizagem para os próximos anos de escolaridade, é possível afirmar que a intervenção atingiu seu objetivo. Percebeu-se que a intervenção deve ser realizada de forma flexível, com um manejo coerentemente e adequado para que não se torne uma sessão desgastante para criança. Apesar do estudo base para o presente trabalho ter sido desenvolvido com crianças com transtorno do espectro autista, verificou-se a possibilidade de ser aplicado com sucesso em uma criança de aprendizagem típica.

Tipologias dos problemas: Revisão histórica
Quintela, A. C. Almeida, F. Ermida Ponte, & C. Costa-Lobo (Universidade Portucalense Infante D. Henrique; Universidade de Coimbra; & Universidade Católica – Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais de Braga)

Os problemas têm sido definidos de acordo com seu contexto, num determinado ambiente e lugar. No contexto da aprendizagem, é importante garantir que o problema seja desafiador e adequado ao nível cognitivo do estudante, a fim de traçar o curso da descoberta da solução. Este artigo apresenta uma revisão histórica das tipologias de problemas, expondo a caracterização dos diferentes géneros de problemas sinalizados pela literatura psicopedagógica. Esta revisão histórica contempla a sistematização de mais de duas dezenas de tipos de problemas. As diferentes implicações psicopedagógicas dos tipos de problemas apresentados são analisadas criticamente.

Factores personales en relación a la calidad de vida en la adolescencia: Un estudio en la Comunidad Autónoma de Galicia (España)
Luisa Losada-Puente (Universidade da Coruña, España); luisa.losada@udc.es

El estudio de la calidad de vida ha adquirido una importancia fundamental en la valoración de la satisfacción de los estudiantes con los servicios, recursos y apoyos ofrecidos por las escuelas; además, se sitúa como criterio y guía para evaluar el bienestar del alumnado en diversas áreas de su vida y como resultado relevante para evaluar la educación de todos los estudiantes, su bienestar y su transición a la edad adulta, así como un centro de planificación de intervenciones y apoyos que los estudiantes necesitan para alcanzar sus metas. Este estudio tiene como objetivo analizar la percepción de la calidad de vida del alumnado con y sin necesidades específicas de apoyo educativo (NEAE), así como el valor que conceden a las diferentes áreas de su vida en función de variables como la presencia o no de NEAE, el tipo de NEAE, el género o la edad. El estudio emplea una metodología de tipo descriptivo-comparativo, con diseño no experimental. El instrumento empleado es el Cuestionario de Evaluación de la Calidad de Vida de Alumnos adolescentes (CCVA), aplicado a una muestra de 438 adolescentes entre 12 y 19 años con y sin NEAE de la Comunidad Autónoma de Galicia (España). Los resultados evidencian, a nivel general, un adecuado nivel de calidad de vida en todo el alumnado. Al comparar los resultados en función de la presencia o no de alteraciones del desarrollo, se detecta un menor nivel de calidad de vida en el alumnado con discapacidad intelectual, en los dominios de autodeterminación y bienestar físico y, en menor medida, en el alumnado con Trastorno por Déficit de Atención con Hiperactividad y con Trastorno del Espectro Autista. También se han encontrado diferencias en función de la edad y el sexo. El alumnado más joven obtiene mejores resultados en la mayoría de los dominios, y los hombres obtienen puntuaciones superiores en bienestar emocional e integración/presencia en la comunidad, manteniéndose las diferencias en el segundo dominio en la comparación entre hombres y mujeres con NEAE. Los resultados obtenidos concuerdan, en su mayoría con investigaciones precedentes, abriendo así un debate en torno al modo en que se están desarrollando las prácticas escolares orientadas a lograr una verdadera inclusión educativa.

Mérito académico no ensino superior e carreira profissional: Um estudo de caso no feminino
Micaela Manuel & Ana Antunes (Univ. Madeira); micasmanuel@hotmail.com

Ao longo do tempo tem-se assistido a uma atenção no estudo das questões de género e, também, sobre mulheres eminentes, ou seja, mulheres que alcançam a excelência em áreas e contextos valorizados socialmente, altamente competitivos e que exigem um nível superior de conhecimentos especializados. No entanto, alguns fatores foram surgindo na literatura como inibidores do sucesso à medida que estas mulheres vão exercendo uma atividade profissional, podendo ser necessária intervenção no sentido de as ajudar a lidar com estas adversidades e a construir um projeto de carreira, de modo a não privar a sociedade do contributo que podem oferecer. Neste sentido, o objetivo principal deste trabalho é, numa lógica de estudo de caso, identificar e analisar de forma exploratória as caraterísticas e os percursos de vida de um grupo de alunas de mérito no ensino superior, procurando conhecer os fatores que parecem condicionar o sucesso académico e a inserção no mercado de trabalho e a construção da carreira. As participantes são cinco mulheres que receberam, pelo menos um prémio/bolsa de mérito numa universidade pública portuguesa, entre os anos letivos de 1999/2000 a 2012/2013. Os dados foram recolhidos através de entrevistas semiestruturadas e da aplicação do NEO-PI-R, Inventário de Personalidade NEO Revisto. As entrevistas foram analisadas através de análise de conteúdo e foram construídos perfis individuais dos traços avaliados pelo NEO-PI-R. Os resultados sugerem que, apesar de algumas idiossincrasias, as participantes apresentam fatores pessoais e contextuais comuns considerados fundamentais para a emergência e manutenção da excelência na idade adulta, nomeadamente ao nível da personalidade (e.g. abertura à experiência, conscienciosidade), da motivação (e.g. paixão pela área), da cognição (e.g. autorregulação). No entanto, verifica-se que no caso destas mulheres o reconhecimento académico por mérito não significou, até ao momento, sucesso profissional de mérito excecional e reconhecido. Salienta-se que aspetos como a multipotencialidade, a dificuldade na gestão de papéis dentro e fora da carreira, as oportunidades e as próprias ambições e opções pessoais parecem ter condicionado o investimento nas suas carreiras. Finalizamos com a apresentação das limitações da presente investigação e com algumas sugestões para estudos futuros.

Proposta de Serviço Psicopedagógico para Estudantes Especiais (SPEE)
Ana Carvalho, Maria Daniela Nascimento, Cristina Costa-Lobo (Universidade Portucalense Infante D. Henrique); ccostalobo@upt.pt

O presente artigo apresenta uma proposta de serviço psicopedagógico a implementar em contextos escolares, o Serviço Psicopedagógico para Estudantes Especiais (SPEE). O SPEE pretende contribuir com respostas integradas, nos domínios da Psicologia e da Pedagogia, face à realidade inerente às necessidades educativas especiais no contexto escolar, tendo em consideração as especificidades das mesmas. Ressalvam-se na génese desta proposta de serviço, os diversos obstáculos e dificuldades associados a esta temática, nomeadamente no que toca aos critérios de inclusão que deverão abranger os estudantes com estas necessidades, tornando-se fundamentais para uma melhor integração dos mesmos. Desta forma, o apoio psicológico especializado constituiu-se como um pilar central do SPEE, no sentido de possibilitar o desenvolvimento de competências outrora não exploradas e que em tanto podem modificar a perceção que o sujeito adquire de si mesmo bem como, do mundo que o rodeia. O SPEE tem uma abordagem preventiva, promocional e igualmente remediativa, incluindo equipa multidisciplinar centrada em responder às necessidades pontuais e sistémicas destes estudantes bem como, da dinâmica familiar e do grupo de pares. Nesta comunicação apresenta-se o sumário descritivo do SPEE, faz-se o enquadramento teórico do SPEE, apresenta-se uma breve descrição dos objetivos gerais e específicos do SPEE, incluindo os desafios aos quais responde, e sinalizam-se os resultados esperados e as medidas de avaliação dos resultados do SPEE.

10:30 – Simpósio
Aprendizagem, Desenvolvimento e Sucesso Académico nos Ensinos Básico e Secundário
Coordenadora Ana Paula Noronha (Universidade de São Francisco, SP)

Forças de caráter e sua investigação com jovens do ensino fundamental e médio
Ana Paula Porto Noronha (Universidade São Francisco, Brasil) 

Forças de caráter são características pré-existentes para uma forma particular de comportamento, pensamento ou sentimento, que se apresentem de maneira autêntica para o indivíduo e que lhe permitam um funcionamento próximo de seu ideal. Adicionalmente, também podem ser compreendidas como características positivas essenciais para que o indivíduo tenha uma vida satisfatória. Embora seu estudo não seja recente, sua organização e o ganho de projeção se deu com o advento da Psicologia Positiva (PP). PP tem sido considerado um movimento iniciado por psicólogos estadunidenses, que fizeram um apelo no sentido de que as qualidades psicológicas positivas deveriam receber a mesma atenção de pesquisadores do que as doenças mentais. Nesse ensejo se localiza o foco do presente trabalho, qual seja, de discutir as forças de caráter com base nos resultados de jovens do ensino médio e do ensino fundamental brasileiros. Os achados das pesquisas serão refletidos à luz de modelos teóricos existentes.

Sucesso escolar: Família e escola equilibram-se na balança?
Ana Filipa Alves, Ana Martins, & Leandro S. Almeida (Universidade do Minho) 

Nesta comunicação pretendemos observar como se cruzam duas instituições inevitavelmente marcantes no desenvolvimento cognitivo da criança e, de que forma, contribuem para o seu sucesso escolar – família e escola. A amostra é constituída por cerca de 400 crianças da pré-escola e do primeiro Ciclo do Ensino Básico, com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos, do norte e centro de Portugal. Através da Structural Equation Modeling (SEM), com bons índices de ajustamento, observou-se que a variável latente família, ao contrário da variável latente escola, tem impacto no desempenho cognitivo, tendo ambas no entanto igual impacto no rendimento escolar das crianças. A partir destes dados apresentam-se algumas implicações sobre o processo educativo da criança no ambiente familiar e escolar, assumindo que este desenvolvimento pode ser favorecido no sentido do empoderamento da criança nas suas habilidades cognitivas e aprendizagens. Procura-se ainda defender a necessidade de intervenções precoces e, deste modo, um desenvolvimento mais confiante e pleno da criança a partir das suas potencialidades.

El pensamiento crítico como garantía de la psicología positiva en los adolescentes
Silvia F. Rivas & Carlos Saiz (Universidad de Salamanca, España)

Pensar críticamente puede significar cosas diferentes, pero hay una característica que siempre está en todas las ideas: eficacia. Resolver problemas de un modo eficaz es lo esencial del pensamiento crítico. Pero la eficacia no depende solo del buen pensar, necesita mucha ayuda para que acontezca. Requiere de mucho empeño o constancia en la consecución de nuestras metas, en la búsqueda de las mejores soluciones a los problemas importantes. El adoptar puntos de vista distintos, plantear preguntas, más que buscar respuestas, o el no paralizarse ante la ambigüedad de los problemas importantes, aporta lo que no pueden ofrecer las habilidades de pensamiento crítico, y que son imprescindibles para la eficacia. La constancia en querer superar los obstáculos o la tolerancia a la ambigüedad, junto con la buena reflexión, forman un conjunto inseparable. En el ámbito de la psicología positiva, lo no cognitivo siempre refuerza lo cognitivo. La adolescencia es un periodo donde la vulnerabilidad y las dificultades en la clarificación de valores toman protagonismo. En esta edad, los jóvenes son más dependientes, no resuelven adecuadamente los problemas cotidianos y tienen dificultades para afrontar con éxito las diferentes situaciones de su vida diaria.  Por ello, es aquí donde una buena reflexión se presenta como una de las mejores herramientas de afrontamiento en lo personal y académico. Con todo esto, los logros y la eficiencia dan paso a un mayor bienestar o felicidad personal. Sin resultados, ese bienestar queda en entredicho. En esta comunicación proponemos que resolver problemas importantes en la adolescencia requiere de buenas habilidades de pensamiento crítico y de todo lo referente a la motivación y expectativas. Todo ello tiene una gran relevancia para el logro y bienestar personal, algo imprescindible para la psicología positiva.

Estudo qualitativo sobre autoconceito escolar: O olhar de crianças de uma escola de educação básica
Camélia Santina Murgo Mansão (Universidade do Oeste Paulista, Brasil)

O presente estudo teve por objetivo verificar as percepções de crianças acerca do autoconceito escolar. Participaram desta investigação 15 alunos dos 6º e 7º anos de uma escola de ensino fundamental localizada no estado de São Paulo-Brasil com idade entre 10 e 12 anos, Para coleta dos dados foi utilizado um roteiro de entrevista semiestruturado. As crianças que disseram confiar em suas capacidades gerais como estudantes também expressaram sentimentos e emoções agradáveis, como alegria, entusiasmo e orgulho, mostrando-se animadas e ativas na escola. Já aquelas que se autoavaliaram como menos capazes experimentam emoções desagradáveis como tristeza, vergonha e ansiedade em relação as tarefas escolares. O autoconceito positivo sobre o desempenho acadêmico parece essencial para o sucesso e realização pessoal do aluno; da mesma forma que, uma percepção negativa de si e de seu desempenho acabam reforçando afetos ligados a inadequação e vivências de fracasso escolar. Verificou-se que os estudantes que manifestam ideias mais ajustadas sobre suas capacidades são propensos a conseguir melhores resultados, se comparados com alunos que revelam juízos negativos sobre si e suas habilidades acadêmicas. Os achados sugerem associações entre autoconceito, afetos positivos e negativos, e desempenho acadêmico.

12:00 – Debate / Comunicações
Debate: Implicações da investigação em psicologia da educação para as práticas educativas Coordenador Leandro S. Almeida (Universidade do Minho)
Participantes
Acácia Santos (Universidade São Francisco, Itatiba-SP, Brasil)
Alberto Rocha (ANEIS-Associação Nacional para Estudo e Intervenção na Sobredotação)
Dulce Machado (Diretora do Colégio Paulo VI – Gondomar) 

12:00 – Comunicações Livres (2 sessões em paralelo)
Sessão 1 – Coordenador José Airton Pontes (Universidade Estadual do Ceará) 

Validação da escala de qualificação docente em educação física escolar
José Airton Pontes Jr, Leandro Araújo de Sousa, Mark Clark Assen Carvalho, & Nicolino Trompieri Filho (Universidade Estadual do Ceará, jose.airton@uece.br; Universidade Federal do Acre, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Universidade Federal do Ceará)

A qualificação docente mínima para atuação como professor no Brasil é de graduação. No entanto, além disso, há outras experiências que contribuem com a formação dos professores, tais como atividades de pesquisa, extensão, gestão, ensino e pós-graduação, assim como tempo de atuação e locais de atuação (escola pública ou particular). O objetivo foi verificar a validade de um instrumento de qualificação docente em Educação Física escolar. Participaram do estudo 232 professores graduados em Educação Física das 5 regiões do Brasil por meio de um formulário eletrônico sobre a formação e atuação na área e nesse nível de ensino. Com base em uma lista de possibilidades de experiências para formação docente, os participantes tiveram que indicar se tiveram experiência em cada uma dos itens na área de Educação Física no Ensino Fundamental (6º ao 9º ano), que foram: E1 – Produção científica (artigos, trabalhos completos, resumos, relatórios de pesquisa), E2 – Participação em Grupo(s) de Estudo e/ou Pesquisa, E3 – Docência no Ensino Superior, E4 – Cursos de formação continuada, E5 – Participação em Projeto(s) de extensão, E6 – Organização de eventos, E7 – Gestão pedagógica, E8 – Pós-graduação, E9 – Tempo de atuação e E10 – Locais de atuação. O instrumento foi analisado via Análise Fatorial Exploratória e Alfa de Cronbach, bem como categorizados por percentil. Participaram do estudo 232 professores e investigadores de Educação Física no Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) das 5 regiões do Brasil, sendo 57,3% mestres e doutores e 42,7% graduados e especialistas. A amostra foi adequada ao estudo (KMO = .747, χ² = 459.268, gl = 45, BTS p ≤ .001), Comunalidades de .388 a .759, satisfatória variância total explicada (56.6%), consistência interna com α = .743 e valores RITC .3 a .517. Na distribuição por percentil, tem-se: 34,1% com perfil básico (até o percentil 40, sendo 4,4 pontos ou menos), 26,7% intermediário (entre os percentis 40 e 70, sendo de 4,5 a 6,7 pontos) e 39,2% avançado (acima do percentil 70, sendo 6,8 pontos ou mais), não sendo observada diferença significativa entre os sexos (χ² = 2.769, p = .250). Essa proposta de instrumento possibilita classificar o nível de qualificação docente pela diversidade de experiências formativas.

A percepção de estudantes sobre o relacionamento interpessoal no contexto da sala de aula
Andréia Osti, Universidade Estadual Paulista (UNESP)

O presente trabalho investigou como os estudantes percebem as relações em sala de aula e quais os sentimentos que fazem parte deste contexto. Por meio da aplicação de diferentes instrumentos buscou-se investigar como os estudantes percebem o relacionamento interpessoal em sala de aula, especialmente na relação com seu professor. Participaram da pesquisa 312 alunos, ambos os sexos, do 5º ano do Ensino Fundamental, de três escolas municipais de uma cidade no interior de São Paulo, Brasil. De forma geral, os resultados evidenciam que as percepções dos estudantes em relação às expectativas e atitudes de seu professor em relação a ele (aluno) são positivas. As atitudes positivas docentes identificadas pelos estudantes se relacionam ao pleno entendimento de quando sua tarefa é elogiada, de quando é chamado para ir à lousa e quanto sua opinião é validada pelo professor. As afirmações negativas indicam que a criança percebe, pelas atitudes, gestos ou palavras do professor, que este desaprova ou repreende algum comportamento seu, lhe critica de forma vexatória ou humilhante, não o chama para resolver atividades na lousa, desacredita em sua capacidade para resolver problemas ou fazer atividades e não confia em sua palavra quando relata algum acontecimento na sala. No entanto, ao comparar o grupo em função do sexo, observa-se que as meninas têm mais percepções positivas e sentem que o professor está sendo afetivo, atencioso e ofertando sua atenção para com ela própria. Os meninos descrevem mais atitudes negativas de seu professor e identificam uma resposta mais agressiva ou violenta do docente, bem como a crítica de forma vexatória. Considera-se que esse resultado sugere, conforme aponta a literatura internacional, que os meninos têm maior probabilidade de apresentar problemas comportamentais e disciplinares e que isso conduz a uma maior cobrança ou crítica do professor, o que faz com que esses estudantes percebam essa negativa com maior clareza. Entretanto, não se pode garantir essa assertiva, dado que o estudo não avaliou questões comportamentais dos estudantes. Esses resultados evidenciam a importância das relações estabelecidas em sala de aula, bem como uma diferenciação entre os sexos. Isso leva a acreditar que os sentimentos presentes no ambiente escolar têm repercussão para o processo de aprendizageme que podem ter direta implicação sobre o envolvimento com o processo de aprendizagem. Cabe destacar que a presente pesquisa contou com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A autorregulação da aprendizagem em  universitários
Guilherme Luiz Ferrigno Pincelli & Sandra Maria da Silva Sales Oliveira (Universidade do Vale do Sapucaí – Univás/Brasil; guilhermepincelli@hotmail.com

O presente trabalho teve como objetivo avaliar a presença de correlação entre a autorregulação da aprendizagem e o rendimento acadêmico dos alunos do curso de Administração de uma universidade do Sul de Minas. Foi realizado umlevantamento bibliográfico sobre a autorregulação da aprendizagem e suas fases, e também sobre o desempenho académico universitário, após a avaliação desses doi sconstrutos, foi feita uma pesquisa com 279 alunos matriculados em todos os períodos utilizando o questionário de avaliação de competências para o estudo (ACE) e coletada as média sacadêmicas dos indivíduos. O teste consistia em 59 questões que foram respondidas pelos pelo alunos, após a tabulação dos resultados, foi realizada a análisefatorial do instrumento o que possibilitou reduzi-lo para 18 questões nas quais foram avaliadas. Na primeira parte da discussão foi avaliada as médias obtidas pelos acadêmicos em todos os anos da graduação, por sexo e por idade, foram encontrados um equilíbrio entre as médias obtidas por ano de graduação, entretanto nas variáveis sexo e idade o melhor resultado obtido ocorreu com as mulheres na faixa etária entre 22 a 25 anos, sobre o instrumento da ACE nas fases de planejamento e monitoramento prevaleceu as mulheres, com faixa etária entre 26 e 29 anos e na fase de autorreflexão os homens com a faix aetária entre 26 a 29 anos foram o que apontaram a maior média.  As correlações existentes entre os dois construtos apresentaram em sua grande maioria correlações fracas, porém entre os resultados se destacaram os alunos do 1º ano do curso, utilizando estratégias na fase de planejamento para obter um melhor resultado. Outra observação importante ocorreu com os alunos do segundo ano do curso, estes apresentaram correlações negativas, ou seja, os alunos que utilizam algumas estratégias de autorregulação apresentaram desempenho abaixo que os demais alunos que não utilizaram. O estudo apresentou suas limitações, e é necessário que seja feita uma pesquisa longitudinal afim de avaliar os impactos da autorregulação em toda a sua graduação, e também se limitou a coleta de dados, sem nenhuma intervenção ou interferencia nas respostas dos alunos.

Dificuldade de aprendizagem na escrita em um grupo de estudantes de escolas da rede pública de ensino brasileira
Aline Gasparini Zacharias & Andréia Osti (Universidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Biociências, Rio Claro – SP); aline.gasparini15@gmail,com

É uma realidade no Brasil, sobretudo, nas séries iniciais do Ensino Fundamental, o significativo número de alunos, que pelos mais diversos motivos, não conseguem se alfabetizar, ou quando alfabetizados, apresentam séries defasagens em suas produções escritas. Diante dessa realidade, este trabalho, é o recorte de uma pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq,) e objetiva compreender o que caracteriza uma dificuldade de aprendizagem, por meio da análise das dificuldades de aprendizagem apresentadas por alunos do 5º ano do Ensino Fundamental, no concernente a escrita. A pesquisa é de natureza qualitativa, e analisou a produção escrita de um grupo de 300 estudantes do Ensino Fundamental de escolas públicas do Brasil, visando identificar as dificuldades específicas, assim como suas principais características, e analisar o quanto tais defasagens podem influenciar no processo de aprendizagem como um todo. Metodologicamente, após a investigação da produção escrita do grupo participante, foi realizada a análise e contagem dos erros mais encontrados, seguida de análise individual de cada aluno. Os resultados evidenciam que quase em sua totalidade os alunos apresentam sérias dificuldades relacionadas a ortografia, em especial na grafia de palavras que possuem sílabas complexas e encontro consonantal, além disso, houve também muitas dificuldades relacionadas a acentuação, omissão de letras ou palavras, aglutinação de palavras e não utilização do plural. Tais resultados destoam das diretrizes educacionais, estabelecidas por documentos oficinais como a Base Nacional Comum Curricular. Documento este de caráter normativo, que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos deveriam desenvolver ao longo da Educação Básica. Portanto, considera-se que esse estudo contribuiu para o entendimento das necessidades dos alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem na escrita, visando realizar um levantamento do nível e frequência dessas dificuldades, para que por meio disso, seja possível propor atividades pedagógicas que atendam as especificidades evidenciadas.

Sobredotação e formação de professores: Análise dos currículos dos cursos de Pedagogia da UNESP – Brasil
Bárbara Amaral Martins (UNESP – Campus de Marília; UFMS – Campus do Pantanal) & Miguel Claudio Moriel Chacon (UNESP – Campus de Marília); barbara.martins@ufms.br

Considerando que a legislação brasileira insere os estudantes com sobredotação no público-alvo da Educação Especial, analisamos as disciplinas dos cursos de Pedagogia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), a fim de verificarmos a maneira como os futuros professores são preparados para lidar com este subgrupo da população estudantil. Todos os seis cursos de Pedagogia oferecidos nos diferentes campi desta Universidade possuem pelo menos uma disciplina relacionada à Educação Especial, porém, nos programas curriculares de três cursos, não foi encontrada qualquer menção à temática da sobredotação. Esta situação evidencia uma lacuna na formação desses professores.

Sessão 2 – Coordenadora Neide de Brito Cunha (Universidade do Vale do Sapucaí – MG, Brasil)

Elaboração de um instrumento para avaliar a escrita na fase de alfabetização
Ana Cristina de Sousa Xavier & Neide de Brito Cunha (Universidade do Vale do Sapucaí – Minas Gerais – Brasil); neidedebritocunha@gmail.com 

Instrumentos para o diagnóstico da escrita são essenciais para verificar, o mais precocemente possível, problemas que podem ocorrer durante o processo de sua aprendizagem. Nesse sentido, esta pesquisa, ainda em andamento, visa propiciar aos profissionais da área da educação, psicopedagogos, professores, entre outros, um instrumento de avaliação da escrita para estudantes do 1º Ciclo do Ensino do Ensino Fundamental I, com base na Teoria do Processamento Humano da Informação e da Psicologia Cognitiva. Foi construída uma escala, com base nos documentos oficiais que definem os critérios para aprendizagem da escrita no Brasil, composta de nove atividades, a saber: identificar grafemas; reconhecer a organização da escrita alfabética; escrever palavras; conhecer e utilizar letras de forma e cursiva; identificar sílabas; segmentar os espaços; utilizar maiúsculas e minúsculas; pontuar frases; escrever palavras e pseudopalavras e escrever uma história. Os objetivos estabelecidos neste trabalho foram os de construir e derivar evidências de validade para um instrumento de avaliação de escrita de estudantes nessa faixa de escolarização. Foram realizados dois estudos: o primeiro de natureza qualitativa para derivar evidências de validade de conteúdo, demonstradas pela análise de juízes; o segundo, de caráter quantitativo, buscou evidências de validade baseadas na relação com outras variáveis quanto aos anos escolares. Participaram do primeiro estudo onze juízes das áreas de fonoaudiologia, psicopedagogia, letras, pedagogia e psicologia. Do segundo estudo participaram 52 estudantes de uma escola pública, sendo 10 do primeiro ano, 21 do segundo e 21 do terceiro ano. O instrumento utilizado foi denominado Escala de Avaliação da Escrita na Alfabetização (EAEA), cuja quantidade de acertos poderia variar de 0 a 110 pontos. Os resultados indicaram que houve evidência de validade de conteúdo pela análise dos juízes, visto que houve 86% de concordância entre eles quanto à formulação das questões. Houve também evidências de validade quanto aos anos escolares, já que as médias de pontuação foram crescentes do primeiro para o terceiro ano, respetivamente, 18,40, 32,86 e 51,67, como esperado. Estudos futuros serão necessários para o refinamento do instrumento, com a aplicação do mesmo em amostras maiores.

A brincadeira na educação infantil: Uma reflexão sobre a prática pedagógica
Vânia dos Santos Mesquita & Patrícia Maristela de Freitas Leal  (Universidade do Vale do Sapucaí-Univás/ MG- Brasil); vaniasantosmesquita@uol.com.br

Este trabalho tem por objetivo apresentar uma reflexão sobre a importância do brincar no desenvolvimento integral da criança na educação infantil. Os objetivos específicos são desenvolver a análise de obras sobre a historicidade da infância; elucidar sobre a importância do brincar; contribuir com a prática do brincar no ensino e na prática pedagógica de educadores. A partir da observação da realidade na educação infantil, pode-se perceber como o uso da brincadeira poderá contribuir para a aprendizagem das crianças. Para entender a brincadeira é importante analisar a infância e sua historicidade. A concepção histórica da infância apresentada por Ariès (1986) relata sobre a criança tratada como um “ser” adulto, sem direitos nem necessidades. A partir dos séculos XVI, XVII e XVIII mudanças foram formalizadas na sociedade pela educação e na formação pedagógica das crianças. A evolução histórica da infância e da conquista de seus direitos podem ser considerados marcos importantes de mudança de comportamento das sociedades em relação à educação infantil. A metodologia deste estudo é a Observação Participante que permite o levantamento de propostas e práticas pedagógicas sobre o uso e desenvolvimento do lúdico na educação infantil. Este estudo envolve duas escolas e os sujeitos observados são crianças de 4 e 5 anos, do pré-escolar, e seus respectivos professores. As escolas pesquisadas se localizam em municípios do Sul de Minas Gerais-Brasil. O número de alunos observados, em cada cidade é de 80 crianças, totalizando 160 sujeitos. E o de professoras, no total das duas cidades, é de oito sujeitos. A observação é feita por meio do preenchimento de uma ficha que nos permitiu responder sobre o uso da brincadeira na educação infantil, nessas instituições. No decorrer das observações, percebeu-se que as professoras fazem uso de artifícios lúdicos, principalmente músicas com gestos, histórias, filmes, dança, atividades físicas, por meio das quais desenvolvem as capacidades de cooperação, afeto, amizade e respeito entre as crianças, sendo algumas dessas práticas consideradas relevantes entre os resultados esperados. No entanto, por serem muitas vezes as mesmas brincadeiras, não se percebe com clareza a proposta teórica que define a lógica de uso dessas práticas, mas, principalmente, a finalidade de motivar as crianças antes de se estabelecer o processo rotineiro de ensino.

Análise dos relatos das práticas pedagógicas de professores de um curso de pedagogia relativas ao ensino de estratégias de aprendizagem
Paula Mariza Zedu Alliprandini & Andreza Schiavoni (UEL – Universidade Estadual de Londrina, Brasil), Ronize Ferreira Leite (Escola Municipal “Nana Manella”); paulaalliprandini@uel.br

A presente pesquisa teve por objetivo analisar se os professores de um curso de Pedagogia de uma Instituição Pública do norte do Paraná/Brasil proporcionam aos seus alunos o uso de estratégias de aprendizagem por meio de suas práticas pedagógicas. Participaram da pesquisa um total de 21 docentes vinculados ao Departamento de Educação, sendo 18 do sexo feminino e 4 do sexo masculino. Em relação a formação dos docentes, a maioria (62%) eram formados em pedagogia, seguidos por docentes formados em História, Pedagogia e Letras e a maioria possuía Doutorado em Educação. Para a coleta de dados foi aplicado um questionário com 9 questões relativas à caracterização dos participantes e 9 questões direcionadas a prática pedagógica do docente. A aplicação do instrumento de coleta de dados foi realizada on-line, utilizando a ferramenta Google Drive. A partir das respostas dos participantes, foram criadas categorias, conforme proposto por Bardin (2009). Foi possível identificar que as estratégias mais incentivadas pelos professores foram as de autorregulação cognitivas e metacognitivas sendo as de verificar vocabulários, grifar partes principais do texto, anotar ideias principais, seguidas pelas estratégias de autorregulação de recursos internos e contextuais, como por exemplo, ler com calma, incentivar o aluno a continuar a tarefa, manter a calma em tarefas difíceis. As estratégias menos incentivadas foram as de autorregulação de contextos sociais, que seriam, estudar em grupo, pedir ajuda ao colega em caso de dúvidas. Foi possível também constatar que muitas vezes os professores disponibilizam textos adicionais, flexibilizam os prazos de entrega dos trabalhos, elaboram perguntas sobre as dúvidas, apresentam resumos da matéria e exemplos sobre o conteúdo ao invés de ensinar os alunos a se autorregularem em relação ao cumprimento dos prazos pré-estabelecidos, na busca de material adicional, identificar as dúvidas e elaborar resumos sobre a matéria, o que requer uma nova forma de mediar o processo de aprendizagem, voltada para o ensino de estratégias de aprendizagem, para que saibam onde e como utilizá-las, com vistas a promoção de um aluno autônomo e autorregulado.

O uso de estratégias de aprendizagem na Educação a Distância (EaD)
Paula Mariza Zedu Alliprandini & Andreza Schiavoni (UEL – Universidade Estadual de Londrina, Brasil); paulaalliprandini@uel.br; Financiamento: CNPq (processo 455509/2014-0)

O objetivo deste trabalho foi verificar o uso de estratégias de aprendizagem utilizadas por alunos da EaD matriculados em cursos de duas Instituições Públicas. Participaram da pesquisa 821 alunos, sendo 532 participantes da Instituição da Região Sul e 289 da Instituição da Região Centro Oeste do Brasil. A faixa etária dos participantes variou de 25 a 64 anos de idade. Para a coleta de dados foi disponibilizada na plataforma do curso a “Escala de Estratégias de Aprendizagem (EEA)” validada por Zerbini & Pilati (2012), composta pelos fatores: controle da emoção, busca de ajuda interpessoal, repetição e organização, controle da motivação, elaboração, busca de ajuda no material didática e monitoramento da compreensão. De acordo com os autores, seria considerado baixo uso de estratégias de aprendizagem, valores médios entre 0 e 4; 4,1 a 7 indicam uso moderado das estratégias e entre 7,1 a 10, uso frequente das estratégias ao longo do curso. A análise dos resultados, por meio do teste Mann-Whitney (p<0,05), indicou diferenças estatisticamente significativas no uso das estratégias de aprendizagem pelos participantes da Instituição da Região Sul e da Região Centro Oeste em relação a todos os fatores da escala. Os resultados apontam que os participantes da Instituição da Região Sul fazem uso frequente das estratégias de aprendizagem (médias variaram de 7,52 a 9,45) e que os participantes da Região Centro Oeste fazem uso moderado das estratégias de busca de ajuda interpessoal (5,89), monitoramento da compreensão (6,22) e controle da emoção (6,64) e uso frequente das demais estratégias que variam de 7,53 a 8,12. A análise em função da faixa etária evidenciou diferenças apenas no Fator Monitoramento da Compreensão pelos participantes da Região Sul (mais velhos sendo mais estratégicos). Os resultados sugerem a necessidade de formação dos tutores voltada para o ensino de estratégias de aprendizagem e assim promover o sucesso da EaD.

Desafios da educação para a sustentabilidade social em moçambique: Olhar sobre as perspectivas curriculares da formação superior
Júlio Taimira Chibemo (Vice-Reitor do ISCTAC, Moçambique) jtchibemo@gmail.com

Este ensaio pretende pensar e reflectir em torno dos desafios da educação para a sustentabilidade em Moçambique tendo como suporte as perspectivas curriculares de formação superior. Depois de recordar a origem do Ensino Superior em Moçambique recupero um contexto actual de discussão no qual, insere-se o ensaio. Portanto, o currículo define a formação de um individuo. A questão do currículo de formação superior deve ser vista como um instrumento que surge a partir de interesse de duas alas orientado para formação de um individuo comprometido com as causas da sociedade e da Instituição. No entanto, nesta comunicação, defendemos a cooperação entre as Instituições de Ensino Superior com a comunidade permitindo uma coesão una e indivisível dos interesses da comunidade quanto da instituição. No percurso do texto, chama-se atenção para a necessidade dos currículos de formação superior adequar-se a realidade da sociedade e ainda, a necessidade de um diálogo aberto e permanente entre as Instituições de Ensino Superior e a sociedade tendo como foco, as necessidades da sociedade e o mercado.

13:15 – Intervalo

14:30 – Conferência
Autorregulação: definição, relevância e medida do constructo: Implicações para a prática psicopedagógica
Evely Boruchovitch (Universidade Estadual de Campinas, SP – Brasil)

A aprendizagem autorregulada é o processo pelo qual indivíduos ativam, orientam, monitoram e se responsabilizam pela sua própria aprendizagem. Requer a integração de aspetos cognitivos, metacognitivos, afetivos, motivacionais e comportamentais envolvidos no aprender. Sua importância é reconhecida entre pesquisadores, já que existem evidências de que os processos autorregulatórios podem ser ensinados durante a escolarização formal. Ser capaz de se autorregular no contexto educativo possibilita aprendizagem de qualidade, pois permite que estudantes exerçam maior controle sobre sua aprendizagem e se tornem alunos e profissionais mais proativos. Evidências mostram que estudantes autorregulados possuem um conjunto de características cognitivas, metacognitivas, motivacionais, afetivas e sociais que facilitam à aprendizagem. Nesse sentido, na presente conferência, a aprendizagem autorregulada será conceituada, evidências de pesquisas que mostram seu forte elo com o desempenho escolar e acadêmico bem sucedido serão apresentadas, problemas e desafios sobre a mensuração desse constructo serão discutidos. Ênfase será dada também as intervenções que promovem a autorregulação da aprendizagem nos diversos segmentos da escolarização formal, mostrando como a pesquisa científica pode orientar a prática pedagógica no sentido do fortalecimento dos processos autorregulatórios associados ao aprender.

15:15 – Simpósio
Aprendizagem, Desenvolvimento e Sucesso Académico no Ensino Superior
Coordenadora Alexandra M. Araújo (Departamento de Psicologia e Educação, Universidade Portucalense)

Adaptação ao ensino superior: Um estudo de intervenção com ingressantes
Acácia Angeli dos Santos (Universidade São Francisco – USF) & Simone Nenê Portela Dalbosco (Faculdade Meridional – IMED)

A universidade é um dos contextos nos quais, por excelência, ocorre a aprendizagem e a formação de indivíduos na fase da adultez jovem. Contudo, o fenômeno da evasão é muito mais frequente do que seria desejável, levando o indivíduo a deixar o curso escolhido antes de sua conclusão. Isso ocorre por diversos motivos e, entre eles, aqueles relativos a dificuldades de adaptação ao novo contexto, seja no plano pessoal, social e/ou institucional. O processo de adaptação ao ensino superior é bastante complexo e envolve a superação de desafios de natureza intrapessoal, interpessoal e ambiental, que demandam o ajustamento ao contexto, suas normas e valores. Considerando a importância deste processo, o propósito do presente trabalho foi a avaliação de um programa de intervenção para ingressantes de uma instituição de ensino superior (IES) na região sul do Brasil. Com base nas respostas ao Questionário de Adaptação ao Ensino Superior (QAES) de 405 alunos, àqueles que obtiveram escores inferiores (quartil 25) foi oferecida a possibilidade de participarem de um programa de intervenção. Dos 40 que o iniciaram, 17 alunos (cursos de psicologia e medicina) o concluíram. O programa ocorreu em 10 encontros de 50’, realizados fora do horário normal de aulas, sendo que em cada um deles foi abordado uma das dimensões do QAES. Assim, a adaptação ao estudo, a adaptação institucional, a adaptação pessoal-emocional, a adaptação social e o projeto de carreira foram o foco de dois encontros cada, que incluíram atividades especialmente preparadas para abordar essas temáticas. Ao final do programa os participantes responderam novamente ao QAES em uma situação de pós-teste. Os resultados alcançados revelaram que o programa de intervenção oportunizou reflexões potencialmente favorecedoras do processo de adaptação participantes, o que deverá ser confirmado pelo acompanhamento destes alunos em medidas de pós-teste postergado. Espera-se que estes resultados forneçam referências para programas similares que possam ser oferecidos sistematicamente.

Abandono no Ensino Superior: Intenções que denunciam um processo precoce de desvinculação
Joana R. Casanova & Leandro S. Almeida (Universidade do Minho)

O abandono académico é um fenómeno de expressão mundial que tem vindo a preocupar cada vez mais as instituições de Ensino Superior. No contexto europeu, as metas do programa “Europa 2020” fixa em, pelo menos, 40% o número de graduados na população adulta entre os 30 a 34 anos em cada estado membro. Para tal, as instituições estão empenhadas em aumentar os ingressos e diminuir os abandonos. Recorrendo à descrição do fenómeno, importa diferenciar o abandono (dropout) de momentos de pausa na formação (stopout) e de opções de mudança de instituição (optout). Sendo a intenção de abandonar um bom preditor do efetivo abandono, realizámos um estudo com o objetivo de identificar a intenção de abandono em estudantes do 1.º ano. Este estudo foi realizado entre a 6ª e a 8ª semanas de aulas após o ingresso e recolheu os motivos subjacentes a essa intenção. A amostra foi constituída por 1387 estudantes que ingressaram no 1.º ano em 2016/2017 numa universidade pública no norte de Portugal. Os resultados mostram que após poucas semanas de frequência universitária 168 dos estudantes (12.1%) manifestam já terem pensado ou pensam abandonar. Os estudantes que referem intenção de abandonar, tal como na amostra geral, são maioritariamente do sexo feminino (61.7%), apenas 39.9% frequentam o curso de primeira opção (50% na amostra geral) e apenas 38% realizaram orientação vocacional no ensino básico ou secundário (46.7% na amostra geral). As intenções de abandonar estão relacionadas com motivos vocacionais e de carreira (29.7%), financeiros (16.2%), académicos-aprendizagem (14.2%), separação da família (5.4%) e com a intenção de entrada no mercado de trabalho (6.1%), entre outros de menor expressão. Face a estes resultados são apontadas algumas medidas institucionais de prevenção do abandono e promoção do sucesso académico.

Estudo diferencial do autoconceito em alunos universitários de Moçambique em função das variáveis pessoais e contextuais
Farissai P. Campira, Alexandra M. Araújo & Leandro Almeida (Universidade Pedagógica, Beira – Moçambique; Universidade Portucalense; Universidade do Minho)

O autoconceito é um constructo sensível às variações contextuais, variando também em função das características evolutivas dos indivíduos (e.g., sexo, idade) associadas aos ambientes de vivências. O presente estudo procura explorar as diferenças do autoconceito em função das variáveis pessoais e contextuais dos alunos do Ensino Superior (ES) em Moçambique. Participam 510 alunos de idade entre 17 a 59 anos (M = 25.50, DP = 6.80); destes 269 (52.7%) são do sexo masculino e 241 (47.3%) são do sexo feminino. A maioria dos estudantes 316 (61.7%) não tem outra ocupação além de estudar e 194 (38.7%), estudam e trabalham, 316 (61.7%) não mudaram de residência para frequentar o ES, enquanto 194 (38.7%) mudaram de residência. Foi administrado o Questionário Multidimensional de Autoconceito para Estudantes Universitários de Moçambique com 24 itens (Autoconceito Religioso 5 itens – alfa =.83; Autoconceito Artístico 5 itens – alfa =.83; Autoconceito Académico 5 itens- alfa =.75; Autoconceito Físico 4 itens – alfa =.76; Autoconceito Social 5 itens – alfa =.70). A aplicação do questionário decorreu nas instalações escolares no período extralectivo e contou com a supervisão do primeiro investigador. Foi esclarecido aos alunos sobre os objetivos da pesquisa, tendo-se garantido a confidencialidade e o anonimato. As análises foram conduzidas através do pacote estatístico SPSS (para Windows 20.0). Os resultados sugerem que as diferenças situam-se nas dimensões do autoconceito religioso e social, sendo superior para estudantes do sexo feminino com idade superior a 23 anos, e em relação às variáveis contextuais a diferença com significado estatístico surge apenas na dimensão do autoconceito artístico para os estudantes que estudam e trabalham, sendo favorável para estudantes que mudaram de residência.

Competência Emocional e Adaptação ao Ensino Superior em Estudantes do 1º Ano
Alexandra M. Araújo & Fátima M. Teixeira (Departamento de Psicologia e Educação, Universidade Portucalense)

A qualidade da transição e adaptação ao Ensino Superior tem sido associada a uma multiplicidade de fatores, incluindo a presença de um conjunto variado de competências cognitivas, sociais e emocionais que apoiam os estudantes na gestão dos desafios próprios deste momento de desenvolvimento. O presente estudo procura explorar a relação entre a competência emocional e a adaptação ao Ensino Superior, procurando avaliar as qualidades do Profile of Emotional Competence (PEC; Brasseur, Grégoire, Bourdu, & Mikolajczak, 2013) enquanto instrumento de avaliação para estudantes universitários. Participaram no estudo 571 estudantes do 1º ano (55.2% do sexo masculino), com idades compreendidas entre os 17 e os 23 anos (M = 18.88, DP = 1.04). A validade estrutural do PEC é analisada, comparando-se os dados com a estrutura teórica do questionário, que avalia a competência emocional intrapessoal e interpessoal, em cinco domínios centrais: identificação, compreensão, expressão, regulação, e utilização das emoções. A validade do PEC é aprofundada através do estudo da relação entre os scores dos estudantes nas suas dimensões e as dimensões do Questionário de Adaptação ao Ensino Superior (QAES; Araújo et al., 2014): projeto de carreira, adaptação institucional, adaptação académica, adaptação social e adaptação pessoal-emocional. Os resultados são discutidos tendo em vista o potencial do PEC em termos das suas propriedades psicométricas e utilidade para a investigação futura acerca da transição e adaptação ao Ensino Superior.

16:45 – Intervalo

17:00 – Visualização e avaliação dos posters
Coordenador José Fernando A. Cruz (Universidade do Minho)

18:00 – Conferência de Encerramento
O desenvolvimento psicossocial do estudante do ensino superior: Desafios pessoais e contextuais
Joaquim Armando Ferreira (Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade de Coimbra)

O ajustamento do adulto emergente às exigências do ensino superior é um processo complexo e envolve a dinâmica de fatores de natureza pessoal e contextual. Neste âmbito, a presente comunicação centra-se na compreensão do desenvolvimento psicossocial do adulto emergente e nas dinâmicas de interação com o contexto de ensino superior, delineando propostas que permitam uma melhor preparação dos estudantes nas trajetórias de entrada, de integração, manutenção e de saída para o mundo do trabalho.

 

Organização 

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Parceiros

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